Meu nome é Sandra, sou mãe de Tainá, uma adolescente de 13 anos.Tainá foi abandonada pelo pai assim que soube da notícia. Nessa época eu estava desempregada e sem apoio da família. Mas, graças a Deus, eu tinha amigas na época que me apoiaram muito e me deram abrigo. Tainá nasceu cardíaca e fazia tratamento. Eu vivia de hospital em hospital. Fazia três medicações no total de seis vezes ao dia. Com essa doença, eu vim a receber um auxílio do governo. Com essa ajuda, eu tive como iniciar minha nova vivência, alugando uma casa para morar só com ela. Quando ela completou três anos de idade eu comecei a trabalhar, daí pra frente nada mais me abalou. Morei doze anos na mesma casa, nesse tempo, nunca deixei faltar nada para ela: estudo, reforço, natação, brinquedos e passeios. Também nunca procurei pai para ela, tinha muito receio que algo lhe acontecesse. Eu não deixei mais de trabalhar. Estudei, fiz cursos e participo de algumas organizações em prol a caridade e respeito ao próximo. Hoje moro em uma residência mais espaçosa, Tainá está prestes a completar quatorze anos. Eu tenho um namorado super do bem e continuo na minha caminhada. Não é fácil, mas basta ter coragem e responsabilidade.”

Sandra Maria do Nascimento

41 anos - mãe de Tainá, 1 ano.

“Vivi um relacionamento abusivo com o pai do meu filho. Foram mais de dois anos tentando sair de um relacionamento que eu não conseguia enxergar a tal luz no fim do túnel. Fazia tempo que eu não me cuidava e talvez por isso eu só descobri a minha gestação já no sexto mês. Eu pensava 42 quilos e estava grávida do meu abusador. O desespero bateu logo de cara. No mesmo momento falei para ele (o pai). Ele falou que não estava preparado para ser pai, com seus 40 anos. E foi ali que eu percebi que estava com a real possibilidade de me libertar daquele relacionamento. Eu também não estava preparada e nunca tive vontade de ser mãe. Mas aquele primeiro “não” dele, foi o que me encorajou na missão. Passou mais três meses de abuso e agressão (inclusive física) e meu filho nasceu. Eu estava ainda com o pai, mas ele já não fazia questão de ficar por perto. Quando meu filho completou dois meses, tomei coragem e consegui definitivamente acabar o relacionamento. Ele visitava a criança duas vezes por semana, com menos de um ano, sumiu de vez. Toda a responsabilidade foi jogada para mim. Eu sempre trabalhei e por sorte ainda moro com os meus pais, o que me faz respirar. Porém, apesar tudo, é uma vida bem puxada. Acabaram os rolês, acabaram os tempos de me cuidar, lavar o cabelo ainda é um prêmio. Hoje meu filho está com dois anos e nove meses. Tudo que passei foi sozinha. As febres, os médicos, os dentes, os primeiros passinhos…. Na verdade eu nem lembro que ele tem pai. Sinto como uma produção independente mesmo. Não há divisão de responsabilidades, todas são minhas. É exaustivo, mas é de uma paz que ninguém vai me arrancar. Seguimos fortes e lutando por dias melhores. A todas mães solo desse mundo, eu ofereço o meu abraço. O meu filho me salvou.

Mariana Castro

33 anos - mãe de Guilherme, 2 anos.

“Tudo começou numa transa desprotegida, cheia de vontade, mas achando que mais uma vez a pílula do dia seguinte me salvaria de uma gravidez indesejada. Passado uma semana, nos reencontramos e fizemos a mesma coisa: eu tomei novamente a pílula, pensando que tava tudo bem. Horas depois, o corpo começou a emitir vontades, vomitei. Passaram-se dias, ele adoraria continuar aquilo que vivemos, eu também, sempre fui muito dona das minhas vontades. Para o reencontro, passaram muitos dias. Cheios de desejos e planos do que íamos fazer na próxima vez que pudéssemos nos encontrar. Passaram-se quase 1 mês quando achei que podia fazer um teste de farmácia porque não ia dar nada, afinal minha menstruação sempre era muito louca. Sai do trabalho, passei na farmácia e liguei pra um amigo e disse: vou fazer. com algum tempo depois o resultado estava ali, na minha mão. Era palpável. Não sabia como eu ia fazer pra contar isso pra muita gente. Respirei fundo, algumas lágrimas caíram, analisei as possibilidades do que fazer nesse momento e decidi que era meu. Tudo isso em questão de 30 minutos. Minha vida tava decidida por mim. Eu vou ser mãe e não queria casar, achei que seria “fácil”, que teria o apoio do pai mesmo que não estivéssemos casados. Contei a ele, não foi do jeito que eu pensava. Fiz no outro dia o beta, não tinha mais dúvidas. Parecia que todas as mulheres grávidas resolveram cruzar o meu caminho depois que vi o resultado positivo. Chorei por algumas horas, mas tinha a sensação de que era meu. Daí pra frente, dentro dos 9 meses de gravidez, achei que o meu bebê não suportaria a pressão de ser rejeitado pelo pai, era tanta raiva que eu sentia, que sentia o meu bebê se contorcendo dentro de mim. Foram 9 meses difíceis e se não fosse pelos meus amigos e familiares, teriam sidos insuportáveis. Meu filho nasceu, naquele momento me senti a pessoa mais completa. Não sabia ao certo como tinha que fazer, mas fui realizando tudo com maestria. O pai só contou a família dele parece que 2 meses depois que a criança estava no mundo. Hoje, continuo nesse projeto de sermos apenas nós dois, eu e meu guri. Não posso dizer que é fácil, mas a nossa cumplicidade é que faz tudo ficar ainda mais belo. O amor nos une aqui em casa. Vivemos a nossa maneira. O que eu diria pra o pessoal nessa situação ainda na fase inicial? O amor supera tudo. Nada mais gratificante que ouvir um mamãe, eu te amo. E sigamos firme e nos apoiando.

Mariana Marinho

26 anos - mãe de Antônio, 1 ano.

Sou mãe solteira de duas meninas de relacionamentos diferentes Fui mãe aos 26 anos e nessa época  já morava sozinha, trabalhava e estava prestes a entrar na faculdade. Dei entrada no meu apartamento, no meu carro e de repente tudo mudou quando descobri minha gravidez (não planejada) e me senti totalmente perdida. Para piorar não tinha relacionamento estável, ele era Italiano e sempre vinha a Recife de férias. Havia nos conhecido através de amigos e ao falar da minha gravidez ele simplesmente me virou as costas e me perguntou quanto queria para abortar, que preferia um câncer ao ter um filho comigo. Me senti um lixo, foi horrível, me vi sozinha, grávida e sem ninguém pra me ajudar. Durante toda minha gravidez tive depressão, chorava, ficava revoltada e queria morrer. Já havia cancelado a faculdade, apartamento e carro. Por várias vezes pensei em suicídio, odiava o fato de estar grávida, não me sentia feliz em nenhum  momento, mas mesmo assim fazia o que era correto: Pré natal, preparei tudo sozinha o enxoval, enfim…16 de Agosto de 2005 nasce Giovanna Bento. Novamente eu e ela sozinha, novamente na sala de parto (acompanhada dos médicos), minha irmã havia me levado a maternidade. Levei um tempo para aceitar o fato de ser mãe. Nesse período, a depressão gritou. Fiquei pior, talvez por não ter procurado ajuda antes, tentei suicídio e fui parar no CRAS, onde fui atendida e medicada. Passei um tempo tomando tarja preta (fiquei viciada) e mesmo assim cuidava da minha filha sozinha. Mas aí resolvi parar as medicações e fui seguir minha vida com ajuda de uma psicóloga. Após de 3 anos, aprendi a amar minha filha. Antes eu era apenas responsável por ela. Durante muito tempo me cobrei por isso, até entender que tive depressão e não podia me cobrar quanto a isso. Eu estava precisando de socorro e demorei muito tempo pra procurar ajuda. Passei uma barra e sempre dizia que não queria ter mais filho. Após 10 anos, fiquei grávida de Helena. Entrei em pânico por medo de passar tudo novamente, porém foi totalmente oposto. Fiz acompanhamento com psicóloga e tava com outra cabeça. Hoje Giovanna é meu braço direito, minha amiga, companheira e parceira, melhor filha do mundo e a melhor irmã que Helena poderia ter. Deus é maravilhoso comigo ao ter me confiado e presenteado duas meninas maravilhosas e parceiras, minha vida teve sentido depois de ter sido mãe.​

Erika Bento

39 anos - mãe de Giovana, 13 e Helena 3.

     Projeto Experimental
2018.2 - UFPE

 

Textos Bruno Vinícius
Vídeos Luane Ferraz e Tiago Lima
Design e diagramação por Matheus Fábio
Ilustrações por Iasmim Vieira e Fernando Valença